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DOENÇA DE PARKINSON: EXERCITAR O CÉREBRO É A FORMA MAIS INTELIGENTE DE RETARDAR OS SINTOMAS

Um distúrbio neurológico, progressivo e degenerativo que afeta, principalmente, o movimento e não escolhe raça, sexo ou idade, embora acometa mais as pessoas idosas.
 

TREMORES, lentidão e diminuição dos movimentos voluntários, enrijecimento muscular e falta de equilíbrio. Esses são os principais sinais da Doença de Parkinson. Um distúrbio neurológico, progressivo e degenerativo que afeta, principalmente, o movimento e não escolhe raça, sexo ou idade, embora acometa, predominantemente, pessoas idosas.

De acordo com o neurocirurgião funcional Dr. Humberto Kluge Schroeder, o Mal de Parkinson ocorre devido à perda de neurônios do Sistema Nervoso Central, particularmente de uma região conhecida como substância negra. “Com a perda dessas células nervosas, há uma diminuição intensa da produção de dopamina, uma substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas. Sem ela, o controle motor adequado é perdido, o que afeta os movimentos”, afirma Dr. Schroeder.

Com o envelhecimento, segundo o neurocirurgião do Hospital Santa Catarina de Blumenau Dr. Cézar Massaru Guiotoku, as pessoas apresentam morte progressiva das células nervosas que produzem a dopamina. Algumas, entretanto, perdem essas células num ritmo muito acelerado e, assim, acabam por manifestar os sintomas da doença. “Não se sabe exatamente quais os motivos que levam a essa perda progressiva e exagerada de células nervosas, admite-se apenas que mais de um fator deva estar envolvido no desencadeamento da doença. Esses fatores podem ser genéticos e ambientais”, explica Dr. Guiotoku.

Conforme o neurocirurgião, embora alguns genes relacionados com a ocorrência da Doença de Parkinson já sejam conhecidos, ela não é uma doença hereditária. Ou seja, ainda não há como definir um risco real de que filhos de pacientes que sofrem com o problema irão desenvolver a doença. “Os genes que favorecem o desenvolvimento da doença devem agir, possivelmente, de forma indireta juntamente com outros fatores”.
 

SINTOMAS, CAUSAS E DIAGNÓSTICO
O quadro clínico da doença é composto basicamente de quatro sinais cardinais: tremores, bradicinesia ou acinesia (lentidão ou diminuição dos movimentos voluntários), rigidez (enrijecimento dos músculos, principalmente no nível das articulações) e instabilidade postural (dificuldades relacionadas ao equilíbrio, com quedas frequentes).

Segundo o neurologista do Hospital Santa Catarina de Blumenau Dr. Marcus Vitor Oliveira, os sinais, na maioria das vezes, começam com os tremores em uma das mãos. No entanto, não é necessário que todos esses elementos estejam presentes. Geralmente, dois deles já são suficientes para o diagnóstico de Síndrome Parkinsoniana ou Parkinsonismo, que pode ou não ser causada pela Doença de Parkinson. “A principal causa da síndrome – em 70% dos casos - é a própria doença de Parkinson. Os demais casos têm relação com outras enfermidades e condições clínicas, como o uso de determinados medicamentos para vertigens e tonturas, doenças psiquiátricas e hipertensão arterial”, destaca Dr. Oliveira.

Portanto, quando o médico faz menção ao parkinsonismo ou a Síndrome Parkinsoniana, ele não está necessariamente se referindo à doença, mas sim aos sinais, que precisarão ser investigadosatravés de consultas com neurologistas e exames complementares de imagens como a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética.
 

AS CINCO FASES DA DOENÇA
Os primeiros sintomas geralmente aparecem de forma lenta e gradual. O estágio inicial da enfermidade se relaciona com o comprometimento de tarefas motoras como a de abotoar um botão da camisa ou a perda súbita ou inexplicável de equilíbrio. Esses são os primeiros indícios da falta de comunicação dos neurônios cerebrais com alguns músculos do corpo.

O estágio dois afeta ainda mais os movimentos, sobretudo, o das mãos. É nessa fase que muitos casos são confirmados clinicamente. Em seguida, a Doença de Parkinson atinge a chamada fase três, quando o paciente começa a apresentar músculos rígidos e dificuldade em permanecer em pé por muito tempo. “Ao não conseguir dominar os próprios movimentos, quem tem Parkinson acaba obrigado a ser assistido 24 horas por dia por um(a) enfermeiro(a) ou ajudante”, explica o neurologista.

Ainda assim, a doença evolui para o estágio cinco, uma fase terminal em que os neurônios perdem quase que totalmente a conexão com os músculos do corpo. É nesse estágio terminal da doença que muitos pacientes perdem a razão. Nessa fase, a maior parte dos medicamentos não apresenta mais o efeito esperado, e a perda da memória se manifesta de forma intensa. Já não é possível recordar nomes de familiares nem se lembrar de situações que ocorreram no passado recente. O resultado, em muitos casos, é a demência, outro fator que acomete pacientes nessa fase.
 

TRATAMENTO
Mesmo que ainda não existam medicamentos capazes de curar ou evitar a degeneração das células nervosas, a Doença de Parkinson é tratável, e seus sintomas, na maioria das vezes, respondem de forma satisfatória às medicações.

De acordo com Dr. Oliveira, os medicamentos utilizados no tratamento da Doença de Parkinson são sintomáticos, ou seja, eles repõem parcialmente a dopamina que está faltando e, desse modo, melhoram os sintomas da doença. “Esses medicamentos devem ser usados por toda a vida ou, pelo menos, até que surjam tratamentos mais eficazes”, completa o neurologista.

Conforme Dr. Guiotoku, há diversos tipos de medicamentos disponíveis, que devem ser usados em combinações adequadas para cada paciente e fase da evolução da doença, além de técnicas cirúrgicas, dependendo do caso. “O tratamento adjuvante com fisioterapia e fonoaudiologia, assim como suporte psicológico e nutricional também são recomendados, tendo em vista que o principal objetivo do tratamento é reduzir o prejuízo funcional decorrente da doença”, aponta.
 

TRATAMENTO CIRÚRGICO
A Terapia de Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation - DBS) para a Doença de Parkinson é uma terapia que oferece um tratamento eficiente, ajustável (os parâmetros de estimulação podem ser periodicamente ajustados pelo seu médico para satisfazer suas necessidades específicas) e, se necessário, reversível (o sistema pode ser desligado ou removido). A terapia utiliza um dispositivo implantado, semelhante a um marca-passo, para fornecer estimulação elétrica às regiões precisamente almejadas dentro do cérebro. A estimulação dessas regiões bloqueia os sinais que causam os sintomas motores incapacitantes da doença. O resultado disso, segundo o Dr. Schroeder, “é que muitas pessoas conseguem ter maior controle sobre seus movimentos corporais”.

A primeira cirurgia para implante de eletrodos foi realizada em pacientes com doença de Parkinson há quase duas décadas. Desde então, milhares de pacientes se beneficiaram dessa técnica. “Mais de 150 mil pessoas em todo o mundo já foram submetidas à cirurgia para implantação do marca-passo cerebral, e cerca de 80-90% dos pacientes apresentaram melhora significativa dos sintomas”, afirma Dr. Schroeder.

Os riscos da Terapia DBS podem incluir os riscos de cirurgia, efeitos colaterais ou complicações com o dispositivo. “A implantação de um sistema neuroestimulador carrega os mesmos
riscos associados a qualquer cirurgia cerebral. Muitos efeitos colaterais relacionados à estimulação podem ser controlados ajustando-se a configuração de estimulação”, adverte Dr. Schroeder.
 

PREVENÇÃO
Como já acontece em muitas doenças, não existe uma maneira segura de prevenir o Mal de Parkinson, porém há algumas atitudes que podem retardar o aparecimento dos sintomas. Levar
uma vida saudável, praticar atividades físicas e fazer coisas que estimulem o intelecto como ler, escrever, ouvir músicas, assistir noticiários podem ajudar na prevenção. 

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